Como o Brasil pode se posicionar melhor nas rotas logísticas globais 

O Brasil é a 9ª maior economia do mundo em termos de PIB, um dos maiores produtores de alimentos, minérios e energia, além de contar com uma base industrial relevante. Ainda assim, sua presença nas principais rotas logísticas globais é, muitas vezes, periférica. As razões são conhecidas: infraestrutura deficiente, alta carga tributária, burocracia excessiva e baixa previsibilidade operacional. 

Para reverter esse cenário, não basta apenas investir em obras. É preciso alinhar infraestrutura, inteligência logística, governança e inserção estratégica nos corredores de comércio internacional. Neste artigo, a Well Cargo, especialista em logística internacional, discute os principais entraves e caminhos possíveis para o Brasil ocupar um papel mais competitivo nas cadeias globais de valor. 

O que são rotas logísticas globais, e por que importa estar nelas 

Rotas logísticas globais são os caminhos comerciais mais utilizados para transportar bens entre diferentes regiões do mundo. Elas conectam grandes centros produtivos, zonas portuárias estratégicas e mercados consumidores de alta demanda. 

Estar bem-posicionado nessas rotas significa: 

  • Acesso facilitado a mercados internacionais; 
  • Menores tempos de trânsito e custos operacionais; 
  • Maior previsibilidade e estabilidade nos fluxos logísticos; 
  • Atração de investimentos e parcerias comerciais; 
  • Maior competitividade para exportadores e importadores. 

Países como China, Estados Unidos, Alemanha, Holanda e Cingapura são exemplos de nações que investiram pesado para se tornarem nós logísticos, com infraestrutura de excelência, burocracia enxuta e alta conectividade multimodal. 

O cenário brasileiro: potencial enorme, aproveitamento limitado 

Apesar de seu tamanho continental e riqueza em recursos naturais, o Brasil ainda enfrenta grandes desafios para se consolidar como hub logístico. 

Principais gargalos: 

Portos com baixa profundidade e limitações operacionais para grandes embarcações; 

Rodovias sobrecarregadas e malconservadas, concentrando 60% da carga nacional; 

Baixa participação do modal ferroviário e hidrovias pouco exploradas; 

Processos aduaneiros lentos e complexos, que encarecem e atrasam as operações; 

Falta de integração logística entre regiões e entre modais; 

Custos logísticos elevados, que consomem cerca de 12% do PIB nacional (o dobro da média dos países da OCDE). 

Essas limitações afetam diretamente o tempo de trânsito das cargas brasileiras, aumentam o custo de exportar e importar e afastam o país dos fluxos comerciais mais eficientes. 

O que o Brasil precisa para se reposicionar nas rotas globais 

Para ocupar um papel mais relevante nas cadeias internacionais, o Brasil precisa de uma agenda logística estruturada, baseada em quatro eixos principais: 

1. Melhoria e ampliação da infraestrutura portuária e multimodal 

A entrada do Brasil nas grandes rotas logísticas passa necessariamente pela modernização e ampliação de seus portos, com foco em eficiência operacional e capacidade de movimentar navios de grande porte (New Panamax e VLCCs). 

Exemplos de projetos com potencial transformador: 

Porto Central (ES) — em construção, com calado profundo e vocação para cargas do pré-sal, energia e agronegócio; 

Porto de Santos — maior porto da América Latina, em processo de desestatização e expansão; 

Porto da Imetame — terminal privado em desenvolvimento no Espírito Santo, com foco em flexibilidade e inovação. 

Além disso, é fundamental ampliar a conectividade intermodal, promovendo o uso eficiente de ferrovias, hidrovias e rodovias integradas aos portos. 

2. Digitalização e desburocratização dos processos aduaneiros 

Uma das grandes barreiras ao fluxo logístico no Brasil está na complexidade dos processos regulatórios e na lentidão das liberações aduaneiras. 

Avanços como o Programa Portal Único de Comércio Exterior (com a DUIMP) são passos importantes, mas ainda enfrentam resistência na implantação. 

É preciso: 

Agilizar a adoção de sistemas digitais integrados (como CCT e LPCO); 

Ampliar a interoperabilidade entre os órgãos intervenientes (Receita, Anvisa, MAPA, etc.); 

Oferecer canais de comunicação eficientes e previsíveis para operadores logísticos; 

Incentivar o uso de certificações como OEA (Operador Econômico Autorizado) para facilitar o comércio exterior. 

3. Inserção estratégica em acordos e corredores comerciais 

Além de infraestrutura e processos, o Brasil precisa se posicionar geopoliticamente. Isso significa integrar-se de forma mais ativa aos principais corredores logísticos do mundo, como: 

Rota do Ártico e Corredor Ásia-Europa

Canal do Panamá e Canal de Suez

Rota bioceânica ligando Brasil, Paraguai, Argentina e Chile

Corredor Norte-Sul, com integração ferroviária até o México

A participação em acordos comerciais também é essencial. Blocos como o Mercosul, União Europeia, BRICS e ASEAN devem ser usados como vetores para abertura de mercados e facilitação logística. 

4. Fomento à inteligência logística e à parceria com operadores especializados 

Por fim, um dos pilares mais importantes, e menos visíveis, é a gestão da informação e a inteligência logística. Operadores preparados, como a Well Cargo, atuam com tecnologia, análise preditiva e visão consultiva para reduzir riscos, custos e prazos. 

Empresas que exportam ou importam precisam contar com: 

Agentes de carga com atuação global e visão estratégica

Consultoria aduaneira especializada para evitar penalidades

Soluções logísticas sob medida, com escolha otimizada de rotas, modais e parceiros; 

Acompanhamento em tempo real da operação, com respostas rápidas a imprevistos. 

Esse modelo de operação integrada é o que garante competitividade, mesmo diante das limitações estruturais do país. 

Espírito Santo: um hub logístico em ascensão 

Dentre os estados brasileiros, o Espírito Santo vem se destacando como uma alternativa inteligente ao eixo Rio-São Paulo, oferecendo: 

Portos eficientes e próximos a grandes centros industriais; 

Incentivos fiscais e aduaneiros competitivos (como o FUNDAP e o drawback estadual); 

Projetos de infraestrutura robustos, como o Porto Central e o Porto da Imetame; 

Localização estratégica no eixo Norte-Sul e com acesso facilitado à BR-101, BR-262 e ferrovias. 

A Well Cargo, com sede no estado, acredita no potencial logístico capixaba como uma porta de entrada e saída mais eficiente para o Brasil no cenário global

Conclusão: o futuro da logística brasileira depende de articulação e visão sistêmica 

O Brasil tem potencial para se tornar um dos grandes hubs logísticos do Hemisfério Sul. Mas, para isso, precisa avançar em várias frentes: infraestrutura, regulação, integração internacional e modernização dos processos. 

Esse movimento não depende apenas do poder público. Empresas, operadores logísticos e associações setoriais também têm papel fundamental para provocar avanços, propor soluções e profissionalizar a cadeia. 

A Well Cargo acredita que logística é mais do que transporte. É uma engrenagem estratégica para destravar o crescimento do Brasil e inserir o país de forma competitiva nas grandes rotas comerciais do planeta. 

Com inteligência, parceria e visão de futuro, podemos, e devemos, sair da lateral e ocupar o centro dos fluxos globais.